Pós-doutor em Ciência do Solo, o professor Telmo Jorge Carneiro Amado, da Universidade Federal de Santa Maria, coordena desde 2003 as pesquisas sobre Agricultura de Precisão realizadas nas áreas do Projeto Aquarius O professor Telmo Amado, da Universidade Federal de Santa Maria, avalia as contribuições do Projeto Aquarius na expansão da Agricultura de Precisão A Agricultura de Precisão encontra-se em fase de grande expansão no Brasil. Em grande parte esse processo está relacionado com o Projeto Aquarius iniciado em 2000 pelas empresas Massey Ferguson, Stara e Fazenda Anna e hoje conta também com a parceria da Universidade Federal de Santa Maria, Cotrijal e Yara. Ele tem como missão desenvolver, pesquisar, inovar e validar novos equipamentos e tecnologias, além de promover a formação de recursos humanos voltados à Agricultura de Precisão adaptada às condições brasileiras. O projeto tem sua sede em Não-Me-Toque (RS), Capital Nacional da Agricultura de Precisão, onde na Fazenda Anna, distante 3 km do parque da Expodireto, foram realizados os primeiros trabalhos. Atualmente a área de atuação do Projeto Aquarius abrange os municípios do Alto Jacuí, com ênfase nas culturas de grãos: soja, milho e trigo. No entanto, tem sido balizador de atividades agrícolas em todo o Brasil, com destaque para o Centro-Oeste. Inovações tecnológicas Durante os dez anos de sua condução, várias inovações e tecnologias foram desenvolvidas: a primeira amostragem de solo georreferenciada seguindo malha amostral no Rio Grande do Sul (2000), a primeira aplicação de fertilizantes e corretivos à taxa variável (2001), o primeiro mapa de produtividade (2001), a primeira amostragem de solo com quadriciclo (2003), à primeira aplicação de fertilizantes a taxa variável plena (2005), a primeira aplicação de adubação nitrogenada à taxa variável e em tempo real (2008), a primeira escarificação localizada do solo (2008), a primeira variação da taxa de semeadura/população de plantas e fertilização à taxa variável no sulco de semeadura (2009), análise em terceira dimensão (declividade) dos mapas de produtividade e atributos de solo (2009). Para os próximos anos o projeto irá procurar aumentar a precisão da suas atividades, passando da escala de metros para centímetros possibilitando, por exemplo, repetir a mesma linha de semeadura safra após safra. Outras possibilidades são tráfego controlado, rastreabilidade de todas as atividades e incremento do uso de sensores que em tempo real forneçam informações sobre as condições de solo e planta, visando o ajuste de adubações e intervenções. Os principais resultados obtidos foram o incremento da eficiência de correções de solo e fertilizações que possibilitaram a racionalização no seu uso (reduções de 20 a 30%) e o incremento da produtividade das culturas (10 a 15%). O projeto tem sido uma referência para a expansão da Agricultura de Precisão e mantém um site para divulgação de informações técnicas. Capital Nacional A integração com a comunidade fundamentou a obtenção do título de Capital Nacional da Agricultura de Precisão para Não-Me-Toque. Além disso, o projeto foi a base para a expansão da Agricultura de Precisão junto às cooperativas agrícolas e prestadores de serviço privados. Já foram publicados dez artigos técnico-científicos, 40 resumos em congressos e simpósios científicos e oito trabalhos de conclusão de pós-graduação nos níveis de mestrado e doutorado. Os números do Projeto Aquarius também são relevantes com coleta e análises de solo de aproximadamente 2.200 hectares, geração de 60 mapas de produtividade e aplicação de mais de 100 áreas com a fertilização à taxa variável. Na Fazenda Anna, o talhão denominado de Lagoa tem o maior conjunto de mapas de solo e de produtividade do Rio Grande do Sul, com oito mapas de produtividade e seis de solo no período de 2000 a 2010. O sucesso do projeto reside na aliança multi-institucional entre empresas do setor privado, entre elas a Massey Ferguson, que aportam novos equipamentos e tecnologias, com a Universidade Federal de Santa Maria, a qual realiza pesquisas e forma recursos humanos, a Cotrijal, que conduz os trabalhos e leva as tecnologias aos produtores, a Prefeitura Municipal de Não-Me-Toque, que reconhece na Agricultura de Precisão uma oportunidade de desenvolvimento e progresso, e os agricultores, que na busca de novas tecnologias e aperfeiçoamento cedem gratuitamente suas áreas para que os trabalhos sejam conduzidos. Artigo originalmente publicado pelo professor Telmo Amado, professor do Departamento de Solos da Universidade Federal de Santa Maria e coordenador técnico do Projeto Aquarius, publicado originalmente no site www.ufsm.br/projetoaquarius/
Fonte: Massey |